Uma situação gerada pela falta de "conciliação", excesso de arrogancia, além do não reconhecimento por parte dos gestores municipais da importancia que tem o trabalho do médico para a saúde da população.
A verdade é que nunca fomos valorizados, e abro aqui um parêntese para citar exemplos de duas situações em que eu mesma pude vivenciar, e em nenhuma delas existiu qualquer reconhecimento por parte dos gestores pelo trabalho realizado em benefício do município:
A primeira aconteceu em Agosto de 2008 quando levei o nome de Coruripe para Brasilia durante a III MOSTRA NACIONAL DE SAÙDE DA FAMÍLIA em um trabalho desenvolvido para promoção da saúde da comunidade de Vassouras, e outro fato recente que aconteceu em Dezembro 2009, quando novamente coloquei o nome de Coruripe, como único município alagoano entre 3 estados do Nordeste escolhido para participar do 1º livro de fotografias de Saúde da Família elaborado pelo Ministério da Saúde. Fatos como estes que me deixa orgulhosa por ver meu trabalho divulgado, mas que infelizmente não proporcionou até hoje nenhum reconhecimento, seja através de palavras de agradecimento e incentivo, e muito menos de retorno financeiro para ressarcir os gastos efetuados com as despesas do deslocamento, hospedagem e alimentação no local do evento. Sei que existem outros colegas com o mesmo sentimento de tristeza e decepção pela maneira com que somos tratados e menosprezados. Durante um evento público ocorrido há cerca de 2anos em Coruripe, eu estava presente e testemunhei a maneira deselegante com que o deputado João Beltrão se referiu a nossa classe dizendo que "os médicos não mereciam o diploma que tinham", incentivando a população a ficar contra a categoria, como se todo problema da saúde fosse culpa dos médicos, esquecendo de citar muitos outros que dependem exclusivamente de "gestão" bem administrada. Naquela época eu lamentei ter tomado sozinha as dores em defesa dos colegas, já que eu não me considerava entre aqueles médicos que ele se referia, e ao fazer um documento contestando o fato ao prefeito Marx Beltrão, dos 15 médicos existentes no PSF, menos da metade me apoiou, o restante se esquivou, talvez com receio de represálias ou porque alguns tinham também suas vantagens e não queriam se comprometer para não perdê-las.
E hoje, eu venho aqui registrar com orgulho a alegria que estou sentindo em ver a nossa classe unida em prol de um movimento de paralização por melhor remuneração.
E acredito que este sentimento deve ser "unânime" entre a maioria dos médicos do município de Coruripe, quando, em fato que considero histórico, pela primeira vez em quase 6 anos, nos unimos em busca de reconhecimento e valorização profissional, tentando receber uma remuneração um pouco mais digna e compatível com a responsabilidade do trabalho que exercemos.
As primeiras tentativas de negociação foram iniciadas em agosto de 2009 através da atuação do SINMED, porém não houve nenhum avanço, e continuaram empurrando com a barriga nossa reinvidicação, não fornecendo o reajuste que deveria ter acontecido em 3 parcelas, sendo a primeira para Novembro 2009.
No dia 15 de dezembro chegamos para nova reunião com o presidente do Sindicato dos Médicos, Dr. Wellington Galvão, sem nenhuma ilusão de que o melhor aconteceria, e diante de tal possibilidade, já tomamos uma decisão antes da reunião de que diante do fracasso na negociação, optaríamos pela greve. E de fato a greve foi decretada!!
Cumprimos o prazo necessário e no dia 18 paralisamos nossas atividades.
Para nossa surpresa, a Secretaria de Saúde lançou mão de uma estratégia nunca antes oferecida aos profissionais do PSF: DAR RECESSO DURANTE A SEMANA DE NATAL E ANO NOVO, o que consideramos um mecanismo para tentar camuflar a nossa greve. Dois dias após o início da paralização, fomos convidados à sala do Secretário de Saúde, Dr. Djalma Breda, que nos solicita paralizar o movimento e retornarmos às atividades no dia 4 de janeiro, para no final do mês iniciar uma nova negociação, mas de antemão já avisava que nossa reivindicação salarial não seria aceita pelo prefeito. Por que então deveríamos paralizar o movimento?
Esta proposta não teve aceitação por parte de todos os médicos presentes, pois achamos que isto iria nos colocar numa situação de inferioridade e desmoralização, quebrando nossas forças e com certeza poderíamos com esse retorno, não ter mais esta união tão importante e necessária para um novo movimento.
No dia 30 de dezembro fomos convocados para uma nova rodada de negociação que novamente não obteve êxito , e pior, nos fez sentirmos humilhados pela maneira com que fomos tratados, chegando ao ponto da Procuradora do município, Dra. Carla, nos ameaçar dizendo que iria colocar outros médicos no nosso lugar!!
Pergunta-se: Será que ela vai encontrar ??
Mais uma vez nossa proposta salarial de R$6.000,00 líquido foi recusada, sendo oferecido apenas R$5.000,00 e uma nova negociação para junho 2010. O sindicato recusou, e após discussão, oferecemos uma contraproposta de aceitarmos os cinco mil em janeiro com o compromisso de atingir o valor dos 6 mil em março 2010. Porém, a assinatura em documento oficializando o compromisso com esta proposta, foi recusada pelos representantes municipais lá presentes, o que gerou a continuidade do movimento grevista.
UNIÂO!! pela primeira vez pude observar isso acontecer com nossa categoria no município, apesar de existir colegas que estão ausentes do movimento, não participando das reuniões e/ou assembléias, não querendo se comprometer...
Mas tenho certeza que, dos 14 médicos atualmente no município (sendo 3 não concursados)
12 estão firmes com a decisão de manter a paralização até que nossa reivindicação seja alcançada!
Continuamos abertos a negociação.
Peço aos colegas que mantenham esta UNIÂO, e não vacilem diante de intimidações, pois só unidos seremos fortes!!!
Tenham certeza que emprego não faltará para nenhum de nós!!
Um FELIZ 2010 para todos!!
Dra. Mônica Amélia
2 comentários:
Também sou médico e quero parabenizar vocês pelo movimento. Enquanto nossa classe não se organizar e não tomar uma atitude, ficaremos cada vez mais desvalorizados, nos submetendo a trabalhar em condições precárias e com salários muito inferiores ao que nós merecemos!! Seria bom que todos os municípios alagoanos fizessem o mesmo. Hoje moro e trabalho em Natal, mas já trabalhei 1 ano em um PSF em Alagoas e sinceramente, nunca vi um estado pra pagar tão mal ao médico!!!!
Cara colega, concordo com você quando relata da falta de incentivo que sofremos ao trabalhar no PSF.
Quando iniciamos nosso trabalho no município de Coruripe, implantamos Grupos de Hipertensos e Diabéticos, Gestantes, Adolescentes, e Saúde da Mulher. Oferecíamos nas reuniões lanche por nossa conta, com ajuda até dos Agentes Comunitários de Saúde; quanto ao material didático, muitas vezes fui buscar na Secretaria Estadual de Saúde em Maceió. Das poucas vezes que solicitamos a colaboração da Secretaria de saúde do Município de Coruripe, não honraram o compromisso. A cada final de ano levávamos o grupo de HASxDiabéticos a um passeio na praia mais próxima de Coruripe a nossa área de trabalho, com muito sufoco conseguimos que nos cedessem um ônibus; você não imagina a descontração e alegria das pessoas que participavam, porém nos últimos dois anos esse grupo ficou a me cobrar, mas a secretaria já não liberou mais. Até de certa ironia usaram em relação a mim falando que eu iria passear, para não trabalhar. Dentro da ignorância deles, que não conhecem o valor de uma Atividade Educativa-Recreativa. Exatamente como você descreveu: incentivo, reconhecimento (por parte da Coordenação, Gestor) nada...
Estou extremamente feliz com nossa luta, pois uma primeira vitória já alcançamos: a nossa união, daí desistir jamais e nunca deixar desmoronar o nosso objetivo e nem a nossa interação. Vamos à luta sempre.
Josane (PSF PINDORAMA PERIFERIA)
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