domingo, 9 de dezembro de 2007


A nossa desvalorização profissional!


Terminou o mês de Novembro e ainda não tinha conseguido um tempo para atualizar o blog, pois estava dedicando-me, mesmo que insuficientemente, aos estudos. Fiz hoje a prova para obtenção do título de especialista em Saúde da Família.
Acredito ter me saído melhor do que a última prova realizada em junho/07, na cidade de Salvador, onde perdi por 0,2!!

Quem sabe desta vez consiga melhor resultado! Tomara!!

Ao chegar em casa com algumas questões na cabeça incomodando, e ansiedade de conhecimentos, busquei a internet para esclarecimentos.
Em um dos links, ao acaso, tive acesso ao site de Saúde da Família do RS.
Uma notícia chamou-me atenção: "O governo do RS paga 14° salário aos agentes de saúde no dia 7/12"

Não referia esse 14º salário também para os demais profissionais, apenas para os agentes de saúde, elogiando seu trabalho de "formiguinha" pela diminuição da mortalidade infantil no RS, no combate à dengue , controle da hanseníase, etc.

E até parece que o médico não tem importância alguma nesses resultados.

Aí me pergunto: Qual o nosso valor como profissional??
Ter um título de especialista vai fazer alguma diferença no nosso bolso???
Fará sim!! Será mais uma despesa anual de sociedade para ser paga!!
E os nossos gestores, será que irão dar alguma importância? Parabenizarmos pelo resultado em caso de sucesso? Será que seremos mais valorizados??
A resposta, infelizmente,é bem conhecida: NADA VAI MUDAR!!
A não ser o nosso "ego" envaidecido pela vitória alcançada.
É duro ter que conviver com essa situação, mas é a pura verdade!
Dia 5 de dezembro foi escolhido para comemorar o dia do médico de saúde da família e comunidade. No meu município não aconteceu nenhuma comemoração, talvez por falta de conhecimento da Secretaria, ou mesmo, pela inexistência de uma boa comunicação.
Faltam muuuitas coisas!!!!
Estou há quase 4 anos em Coruripe sem nenhum aumento salarial.
Nossa insalubridade requerida há mais de 1 ano, até hoje não foi resolvida.
A última notícia, nada boa, que corre, é que teremos o nosso dia de folga cortado a partir de janeiro/2008 por conta de um repasse ao município liberado pelo estado?

Desde quando este repasse está existindo? Nada sabemos!!
Simplesmente porque lá não existe reunião das equipes com o Secretário de Saúde.
Raramente tem reunião com a coordenação, que pouco , ou nada, pode resolver.
Por mais que tentemos agendar com todos os profissionais , a dificuldade de acesso junto ao Sr. Secretário de Saúde é imensa!!!

Quais explicações??? Desconheço as razões.

Só desejamos somar, colaborar com idéias que possam melhorar/agilizar a máquina administrativa com resultados positivos , principalmente para a comunidade assistida.
Mas nossa voz nunca é ouvida, e mesmo que possa vir a ser lida, não vislumbro modificações.

Nossos colegas médicos se acomodaram, e me questiono:Vale à pena entrar numa batalha em que não se conta com apoio da maioria? A luta será inglória.
Não quero ser "boi de piranha", nem colocar minha cabeça à guilhotina sozinha.
Tem que haver UNIDADE!! Todos juntos!
Termos oportunidade para discutir questões gerais sobre: folga, insalubridade, melhoria salarial, educação continuada, etc, é coisa extremamente difícil, pois os colegas não demonstram interêsse!
Talvez porque fica aquela falta de esperança, " uma quase certeza" que é difícil a mudança, o que nos limita a investir nesta luta.
Um exemplo: em relação à folga, existe uma opção em que ela não precisaria acabar, como aconteceu no município de Campo Alegre, basta aumentar o número de horas trabalhadas e a questão se resolveria, pois eu mesma serei uma que não vou poder voltar a trabalhar na "folga", folga esta, que eu deveria usufruir para descanso ou resolver problemas de saúde ( pois tbm adoeço, preciso de dentista, cuidar de filhos, casa, etc) e é o dia do meu plantão na Unidade de Emergência em Maceió que me fará falta financeiramente, caso eu perca.

Mas , como não existem oportunidades para nos reunirmos e discutir as questões pendentes,
as decisões nos vão sendo empurrada "goela abaixo" e as conseqüências, só o senhor do tempo mostrará...

A insatisfação deverá gerar uma queda na produção do trabalho, busca por oportunidades com melhor remuneração em outros locais, etc. É questão de acontecer e valer à pena mudar! Arriscar!!

Quem sabe um 14º salário, ou algo mais simples, como um " reajuste de salário" possa fazer reconhecer o nosso valor como profissional, pois só palavras e elogios , apesar de satisfazer o ego, infelizmente, não enchem barriga e nem pagam nossas contas!!!
E lembrem-se: Médico também precisa ser tratado como gente!!! Gente que adoece, gente que sofre, gente que também passa por necessidades e dificuldades financeiras!


Dra. Mônica Amélia